Dia do BASTA em Ribeirão Preto
Ontem, após voltar do trabalho em Jardinópolis, passei na Explanada do Teatro Pedro II em Ribeirão Preto para conferir o protesto contra a corrupção e a favor da educação. O dia do BASTA. Cheguei lá antes do horário previsto. Encontrei apenas o público do Teatro na fila aguardando para entrar. Ninguém ali que tivesse cara de manifestante. Resolvi esperar. Dar uma volta no quarteirão. Dar um tempo até que alguém chegasse. A chuva que caia durante todo o dia já estava dando sinais de trégua.
Eis que encontro um grupo de cinco ou seis pessoas. Cartazes, mão direita pintada de branco e nariz de palhaço. Estéticamente perfeitos. A Imprensa também estava lá. Mentindo a verdade pra variar. Mais pessoas chegaram e juntaram-se a nós. Mesmo assim não havia reunido mais do que 20 pessoas. Ah!! também pintei minha mão de branco. Pintar o rosto de verde e amarelo não fez muito meu estilo, afinal: Será que devo ter orgulho do meu país??? diz a canção.
O grupo resolveu andar. Começar a passeata. Foi aí que percebi algumas coisas que me incomodaram. As pessoas presentes podiam estar alí com toda a boa vontade do mundo, mas não tinha base politica. Nem alguém que soubesse de fato qual era o foco do protesto. Preferi me calar e gritar coisas que achei relevante como FORA CORRUPÇÃO!!!! MAIS EDUCAÇÃO!!!! Para alguns alí a passeata parecia uma grande brincadeira. Não senti seriedade nesse movimento. Conheci duas ou três pessoas com quem pude desenvolver um diálogo enquanto os demais preocupavam-se em tirar fotos. Algumas adolescentes seguravam os cartazes fazendo pose de modelo. A Manifestação foi muita rápida. Logo já tinha acabado. Não foi feito nada de relevante ontem. E quando quiseram fazer. como por exemplo levar aquela passeata por menor que ela fosse até a Prefeitura, a que me pareceu a lider, impediu com o argumento de que manifestação não era politica e sim da sociedade civil. Ficou a pergunta, mas o que não é POLÍTICA? Tudo gira em torno da política.
Por fim, ter vontade de se manifestar é o começo pra tudo, se você se sente indignado, proteste. Não perca tempo. Só que entenda que essa luta é política e se você não mexer no vespeiro a situção continuará sempre a mesma. Espero que ocorram outras manifestações e que a adesão aumente, mas que pessoas sérias passem a fazer parte disso. Faltou conteúdo ontem. Não façam protestos e manifestações tornarem-se piadas.

João Francisco Aguiar é um dos editores do
âncorazine e desse blog. É professor, conhecido por seus alunos e colegas de
trabalho como jofra, baterista da banda Corvo de Vidro. Não acredita em
processos de mudança, e sim na ruptura como mudança do real. Se não está
satisfeito com o pano de fundo de sua vida, não mude a si mesmo troque o pano,
mude de amigos, de cidade e até de planeta se conseguir. Para ele a imaginação
supera a razão.









