quinta-feira, 15 de março de 2012

VOA, CORVO!!!!!!




Essa é a mais recente entrevista da banda Corvo de Vidro realizada pela Metal On Metal http://metalonmetal666.wordpress.com/2012/03/05/banda-corvo-de-vidro-entrevista-exclusiva/


Como vocês se conheceram e quando decidiram formar a banda?

Bellisimo: Durante os anos de 2009 e 2010, Eu e o Danilo Ratão tocamos juntos em algumas bandas, mas no final de 2010 resolvemos montar uma banda com as propostas que tínhamos - música pesada e com letras corriqueiras do dia a dia. O João foi chamado como baterista porque já era amigo de longa data, já havia composto várias músicas com o Danilo Ratão e tinha a pegada na bateria que seria perfeita para o som que o próprio João já havia ajudado a definir, mesmo sem ter tocado conosco, mas em decorrência das composições conjuntas. Na decorrência de 2011, a banda tocou em vários festivais importantes do interior paulista como Arena Rock, abertura do show do Nevilton, Caipiro Rock e Independente ou Morte. Além de Ribeirão Preto e Serrana, tocou também em Monte Alto, Monte Azul Paulista e Limeira. Agora no final deste ano, Olodum, guitarrista do Go Out –( banda parceira no Movimento Garrafão Underground) – entrou oficialmente como novo integrante e já começa a deixar sua marca nas músicas do Corvo.

Desde o inicio a formação é a mesma ?

Bellissimo: Sim, desde o início a mesma formação, única mudança foi a guitarra base do Rafael Olodum.

De onde surgiu o nome ‘Corvo de Vidro’ ?

 Bellissimo: Como a banda tem grande influencia literária em suas músicas e é composta por dois professores (Ratão e João Francisco) foi escolhido o poema de Edgard Allan Poe “The Raven” ou seja “O Corvo” e Vidro representa a fragilidade das coisas, principalmente de uma banda que por problemas internos pode acabar a qualquer momento
.
Como rolou a parte de composição e arranjos da música ‘Não tenha medo de ser você’ e quando vocês tocaram-na pela primeira vez ?

 Bellissimo: Ela foi composta pelo Ratão e seguia uma linha mais simples de riffs de guitarras. Quando eu toquei a primeira vez, algumas mudanças já ocorreram e todos da banda me deram a liberdade para criar e desenvolver os arranjos da música. Entre tais arranjos estão o riff de introdução, a parada no final do solo e o peso tribal no final da música.
Na opinião de vocês, qual a maior barreira na parte de divulgação das bandas brasileiras?

João Francisco: Ser independente hoje não é novidade nenhuma. Há muitas bandas boas por aí. Nos anos 90 um dos maiores meios de comunicação independentes eram os fanzines, hoje temos a internet que faz esse papel, blogs, facebook, etc … em Ribeirão Preto a maior barreira está nas pessoas que ainda não valorizam o som independente e continuam ouvindo as mesma bandas que seus pais ouviam e achando que há algo de atitude rock nisso. Por aqui não há renovação e a cultura de bandas covers impera, issso pode mudar a partir do momentos em que as bandas independentes passem a ter trabalhos consistentes e o público passe a ouvir esses trabalhos e valorizá-los.

Quais são as principais influências musicais de cada membro da banda ? (Álbuns, artistas, etc)

João Francisco: Bandas punks do Brasil: Cólera, Garotos Podres, DZK, Subviventes, Inocentes, 365…entre outras dos anos 80 e 90, de fora do Brasil, Ramones e Sex Pistols.
Bellissimo: Guns N’ Roses, Alice in Chains, e Raimundos. E alguns artistas para estudo mesmo tal como; Djavan e Pepeu Gomes.
Danilo Ratão: Alice in Chains, Nirvana e Pearl Jam.
Rafael Olodum: NOFX e tudo relacionado ao Hard Core.

Como vocês definem o estilo da banda ?

Bellissimo: Pergunta difícil! (risos). Estamos entre o Grunge, o Punk e o Hard Rock. Preferimos na verdade que as pessoas definam nosso som.

Qual foi o momento mais marcante pra banda ? (Um ensaio, um show, etc)

Na verdade nós temos opiniões diferentes sobre isso, então cada um responderá de acordo com o sua opinião individual.
Bellissimo: “Com certeza foi o ARENA ROCK 2011, pois a banda com apenas 4 meses de existência foi selecionada para tocar nesse grande festival ao lado de bandas importantes de Ribeirão Preto como Necrofobia, Mano Pinga e Seus Comparsas e a banda Red Front de São Paulo”.
João Francisco: No festival Caipirock 2011, em Monte Azul Paulista. Pelo fato de ser realizado numa plataforma da rodoviária, foi singular.

Qual o objetivo do Corvo de Vidro pra 2012 ? Teremos boas surpresas?

 João Francisco: Gravar nosso EP e divulgá-lo em todos os lugares possíveis.

Qual a agenda de vocês e como podemos contactá-los ?As informações sobre shows são divulgadas no em nossas mídias na internet

https://www.facebook.com/profile.php?id=100001525587837&sk=info
http://bandacorvodevidro.tnb.art.br/
http://corvodevidro.blogspot.com/

E contato conosco além dos links informados, pode ser através dos telefones 3618-6077 ou 9174-1235.
(Bellissimo)



segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Explana Rock 2012

"Foi assustador, (no bom sentindo) as paredes tremiam, os vidros vibravam e os ouvidos queimavam ao som pesado da banda..." Alan Belíssimo

o texto abaixo é uma colaboração do blog da banda Corvo de Vidro http://corvodevidro.blogspot.com/2012_01_01_archive.html#8597000460066917297



Vou te contar uma coisa...
Sabe aqueles shows, que você assiste, participa, não enjoa, não cansa e quando vê já acabou, mas você espera até o ultimo minuto para aproveitar o ambiente e o clima de confraternização?Então, dia 28/01/12 aconteceu o primeiro Explana Rock organizado pelo Movimento Garrafão Underground, e tudo descrito acima foi o que aconteceu.
O evento previsto para acontecer em frente a Esplanada do Teatro Pedro II, deu início as 12:00 hrs.

Devido ao tempo nublado, com possibilidade de chuva forte, transferimos o evento para dentro do Palacce, mais precisamente no pátio do Hotel.
Mais ou menos as 12:20, a Banda Abiosi tomou conta do espaço e mandou primeiro seu primeiro som.
Foi assustador, (no bom sentindo) as paredes tremiam, os vidros vibravam e os ouvidos queimavam ao som pesado da banda.
A galera foi se aglomerando, e começou parecer uma panela de pressão em ebulição total.
O show durou cerca de 80 minutos, não sei ao certo, pois desde o início do evento, me desliguei do espaço tempo e fiquei anestesiado apenas curtindo tudo que estava acontecendo.
Após o termino de Abiosi, Veio então Drenados com um puta Hard core, Punk, sei lá qual estilo, só sei que o som estava perfeito, 2 guitarras, baixo, bateria e vocal, como se fosse a reprodução de um Cd.
e lá foram mais uns 80 minutos de show, onde surgiu a primeira roda de dança UFC do rock.
Pulos, esbarrões, cotoveladas, mas tudo sem violência, uma dança apenas para expressar e aliviar a tensão que jovens sentem nos dias de hoje.

Sai para fumar um cigarro, 3 minutos depois (o tempo de fumar o cigarro) não consegui meu lugar de volta, pois já haviam tantas pessoas, que estava parecendo uma final de um clássico de futebol.
Pessoas se aglomerando, se apertando, curiosos tentando ver o que estava acontecendo, o pessoal do canto lirico do Palace, observando e curtindo o momento.
Foi bom ver os amigos, beber cerveja com alguns, abraçar outros e ver os shows com todos.

Após Drenados, veio Raimundera, cover de Raimundos.Foram mais 30 minutos de Rock na veia, ai sim o bicho pegou mais ainda.Não tinha por onde escapar, as pessoas se amontoando o som rolando, tudo perfeito. Mais até do que nós havíamos pensado sobre o evento.
Encerrando o Explana Rock, era hora de dar tchau, mas quem disse que esse povo louco ia embora?!Galera o show acabou! E dai? Quero é ficar, quero é morar nesse evento! Quando rola outro?...
E tudo isso aconteceu em um sábado, ultimo de janeiro, primeiro evento do ano e, ficou marcado como ferro quente em boi.
O que nos deixou ainda mais felizes, foi o fato de 99% daquelas pessoas, nunca terem entrado em um espaço cultural e principalmente no Palacce, um marco histórico de nossa cidade.Inclusive eu, que pouquíssimas vezes entrei e observei um local tão lindo e produtivo de nossa cidade.
E foi assim que o meu sábado correu, com música, satisfação e cultura para nunca esquecer...


          Bellissimo-Guitarra e Vocal do Corvo de Vidro.                            

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012


Texto "Uma Noite"

Lá está ela, banhando seu corpo cansado. Daqui ouço-a espumando as pernas. Vejo a luz amarela do banheiro. O chuveiro silencia. Sinto então o cheiro doce e quente do cigarro que acende depois do banho.Nada como fumar um cigarro com os cabelos molhados, a sensação de que algo fresco está acontecendo. Como uma festa. Tirando o fato de que vamos pouco à rua e que parei de fumar, a vida realmente é uma festa. Eu é que sempre chego ao fim, quando a comida está gelada e a música parou. Ela então demora mais que o habitual. O que estará fazendo? Logo vejo. Volta só de camiseta, com dois copos de conteúdo estranho e os lábios de batom. Pequeno detalhe que meus olhos notam.
_ Já desocupei o banheiro. Pode ir.
_É. Eu percebi quando te vi do meu lado. – Agora sei. Um Martini gelado como só os vencedores podem beber. Só duvido que eles o sorvam com a mesma boca boa que eu.
Termino o copo. Um pequeno beijo segurando seu queixo. Tiro a roupa, ligo o chuveiro. A água vem quente e forte. Lava meu suor, meus músculos, meus pecados. Tudo se mistura formando um líquido negro sugado pelo ralo. Na mente uma sensação de vazio. Fora o dia? Ou o cansaço. Em verdade não chega a ser vazio completamente. Havia várias imagens soltas. Carros. O almoço bom. Alguns papéis. A cidade.
_Pegue a toalha.
_O quê?
_A toalha.
Mais um copo.
_Você quer ouvir música ou assistir TV?
_Tv.
_Como foi seu dia? – eu de uma forma ou de outra sempre acabava perguntando por alguns motivos mais ou menos razoáveis. Para ouvir sua voz. Para saber de algo novo que eu deveria saber. Para que pudesse ser solidário à sua solidão. Para sentir ciúmes.
_Hum... de manhã... – e me narrou aquilo que se repetia todo dia, alisando meu peito. As merdas diárias que qualquer secretária precisa passar.
_Me beija de novo?
Beijo. A boca, as orelhas, a nuca. Beijo os seios. Beijo as coxas, os pés. Beijo o sexo. Deitar-me com ela após um dia ruim, substituir o gosto amargo na boca pelo doce de sua pele. Não sentir a solidão que me ulcera as entranhas. A vida parece ter dado errado em algum momento.
A casa pequena me oprime. Sinto-me humilhado pelos copos feios, alguns lascados. Meus objetos vagabundos, frutos da minha vida trôpega, me lembram a todo momento o que deveria ter sido e nunca fui. Olhá-la cansada, as mãos machucadas, o olhar lento e apaixonado, todas suas tentativas de formar um lar ao meu redor, tudo isso me amarga. Eu poderia ter escalado o mundo e lá de cima ter jogado moedas de ouro para todos os mendigos. Ser um homem, amá-la, ter filhos pelo amor de Deus! Ter um jardim e arrancar algumas flores quando a paixão me tomasse ou simplesmente para lhe lembrar como é impossivelmente linda. Termos malditos copos decentes e celebrar nossa quase finda juventude ao invés de lembrarmo-nos a cada movimento que somos feitos de uma carne densa e dolorida. Quero-me esquecer que trabalhamos como miseráveis e que dificilmente mudarei nossos destinos.
_Tem pernilongos demais! – coçando o joelho branco e pontudo.
_Amanhã compro inseticida. – meus olhos ardendo pela claridade da TV. Pego-a me olhando bem no fundo.
_O que foi?
_Nada meu bem. – mas era. Ela nada havia comentado desde o dia em que disse que havia lhe traído. Apenas este olhar triste. Por que não gritou comigo? Por que não me ofendeu ou foi para cama com qualquer um que adoraria fazê-lo? Por quê tinha que me mostrar que eu havia sido um desprezível e gritado com seu silêncio que eu havia lhe T-R-A-Í-D-O? No entanto, apenas o silêncio e este sofrimento de quem ama.
Tiro a camiseta e sua nudez agarra meus olhos. Como um homem pode se deitar com uma mulher todos os dias há mais de cinco anos e mesmo assim ficar louco por seu corpo é uma dessas coisas que nunca se explicarão realmente para mim. Esquecemos a TV. Esquecemos os copos e nos entregamos à energia do amor, sempre mais do que sexo. Amo-a e o produto de nossos encontros é sempre algo imaterial e disperso que resiste em nossas veias até o próximo dia. Lutamos e vencemos um ao outro. Sempre o exagero quando falamos de nós mesmos, mas poucos conhecerão a força e sinceridade do que é se deitar com uma mulher com a sensação de que não haveria nada melhor debaixo do sol a se fazer do que o que se está fazendo. É uma ilha em meio ao concreto, aos baixos salários, às palavras tortas e às ilusões declinadas. Ela vem com algumas latas de tinta, abre-as sem que eu as note e joga com força sobre a minha vida. Vermelho em meu sexo, roxo em meus olhos, verde nas ruas, azul nos meus sonhos. Vejo-me mergulhado num arco-íris em chamas após um dia cinzento e arenoso. Amar talvez transcenda nossos corpos fugazes e continue mesmo quando estivermos apodrecidos e nossas almas estiverem vagando pelo infinito, lado a lado.
_Eu te perdôo. – ela disse, aceitando-me, e dormiu com o rosto em minha mão. Chorei sem som e adormeci, perdoado.

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Curta biografia:

Ulisses Pinheiro Lampazzi, nascido em 1987, sempre acreditou ser poeta. Formou-se em História pela Unesp em 2009 e atualmente trabalha nesta área, mas continua errando e acertando nos vastos campos do lirismo. Na formação de sua personalidade, misturou Allan Kardec com Jack Kerouac e deu no que deu. Compaixão e vontade de viver a vida como uma fruta aberta. Sejam bem vindos.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

ESSA É A PRIMEIRA ENTREVISTA DO ÂNCORA, ESPERAMOS FAZER MAIS EM 2012

Conheci o Estúdio Garrafão em meados de 2011,  quando passei a ensaiar lá com a banda Corvo de Vidro. Já conhecia o Alex há muito tempo, já chegamos a viajar juntos para tocar em Mauá - SP. Ele no Drenados, eu no Íbis. Com o tempo os ensaios do Corvo de Vidro passaram a ser em definitivo no Alex  por uma série de razões. Entre elas o integrante fixo de todas as bandas: um frigobar abarrotado de cerveja, refrigerante e até água. É um estúdio que sabe conquistar a clientela. Abaixo você confere uma entrevista feita com o proprietário do Garrafão, Alex Drenados.



1. Como e quando surgiu a ideia de montar um estúdio?
Alex: O estúdio começou no final de 2008. Eu já vinha ensaiar com minha banda. Aqui  era um estúdio caseiro. Já tinha a intenção de ter um estúdio e o dono do lugar também, mas não tinha tempo pra isso, ele então deixou o estúdio na minha responsabilidade.

2. Nesse tempo, muitas bandas passaram pelo Estúdio Garrafão. Cite quantas você se lembrar?
Alex: Foram muitas bandas. Muitas... não vou me lembrar de todas  e aí fica chato, né? Mas as que estão sempre aqui são a Corvo de Vidro, Drenados, Velhus Tempus, Mano Pinga e seus Comparsas e Go Out... a maioria de sons autorais e isso é muito bom pra música independente.

3. Quais as dificuldades em se administrar um estúdio em Ribeirão Preto?
Alex: Primeiro de tudo os custos. Não é barato manter os equipamentos. Depois as outras contas como o aluguel por exemplo. No começo tive que investir grana do bolso para manter o estúdio funcionando. Não foi fácil, mas valeu a pena investir.

4. O clima no estúdio é sempre de muita descontração. Sempre foi assim? Ou os amigos com o tempo foram tomando conta? rsrsrsrs...
Alex: Os amigos dominaram mesmo, viu cara rsrsrsrs...No começo chegam tímidos, mas logo ficam à vontade.  O clima no estúdio é muito descontraído. A dominação dos amigos é positiva para o estúdio rsrsrsrsrs.

5. Nesses três anos de Estúdio, histórias engraçadas não devem faltar. lembra-se de alguma?

Alex: Nossa cara, são muitas. Todo dia acontece alguma coisa engraçada rsrsrsrs. Fica difícil dizer. O clima aqui é muito descontraído. Nesses três anos nunca saiu uma briga ou discussão mais calorosa. A galera se diverte. Tomam uma breja, falam besteiras e às vezes se desequilibram e caem. Eu mesmo já caí umas duas vezes kkkkkkkkk....Só colando aqui pra ver e rir junto.

6. O fato de você tocar no Drenados e sua proximidade com as bandas do underground de Ribeirão Preto, fez com que você estivesse sempre envolvido direta ou indiretamente na organização de eventos. Fale-nos sobre o projeto Garrafão Underground e suas expectativas quanto ao sucesso desse movimento.

Alex: As expectativas são as melhores possíveis. A galera que compõe o Garrafão sempre existiu. Sempre estiveram por aí. Cada um no seu corre.  Com a sua banda. Após a realização do Arena Rock 2011 a galera botou mais fé nessa união e “tamô aí..” .Já organizamos duas Intervenções no ano passado, além de uma rolê  massa  para Limeira com as bandas autorais do movimento. E em 2012 vai rolar mais, muito mais, é só ficar ligado e aparecer para prestigiar.



7. De onde veio o nome Estúdio Garrafão Underground?

Alex: O nome já existia antes do Estúdio. Garrafão Moto Cana era o nome de uma galera com a qual andava de moto. Resolvi usar esse nome para batizar o Estúdio. E underground tá  na cara, né “veio”, sempre pertenci a esse meio rsrsrsrs.

8. Quais os planos para o Estúdio em 2012?

Alex: Gostaria de  tornar o Garrafão não só um estúdio para ensaio de bandas, mas poder também gravar essas bandas. Quem sabe esse ano o Garrafão não comece a fazer isso. Penso até em um Selo com o nome Garrafão. Já pensou que massa, cara.

9. Para encerrar faça suas considerações finais e convide as bandas e as pessoas para conhecerem o Estúdio Garrafão Underground.

Alex: Pô, quero agradecer ao Âncora Blog a você João e aproveitar esse espaço para convidar a galera para conhecer o Garrafão, sem compromisso. Traga seus amigos, monte sua  banda e ensaie aqui porque o clima é muito massa. Se vier uma vez vai querer voltar mais dez.
localização: Rua Jorge Fazolin, 97 - Ribeirânia ( atrás da Telha Norte )




 *todas fotos dessa entrevista por Bebel Fotos...

domingo, 1 de janeiro de 2012


Os rumos que a vida toma... 



Véspera de ano novo. Estou na Mini Rodoviária de Ribeirão Preto. Espero pela carona de Alan Belíssimo até a casa de Letícia, namorada do amigo Alex Drenados. Lá iremos nos reunir com os amigos e passar a virada. São Dez horas e o aLan só poderá   me pegar às onze horas.  Tinha tempo de sobra pra tomar umas cervejas, fumar uns cigarros e pensar na vida. 

Está chovendo, ora muitos pingos, ora poucos, mas bem molhados pingos de uma chuva que parecia sem fim. Compro uma cerveja no posto e acendo um cigarro. Do outro lado da rua um mendigo se protege debaixo do  toldo da banca de jornal e revistas que está fechada. São poucas as pessoas na rua. O homem mal trapilho,  enrolado em um cobertor do outro lado do asfalto, de repente me chama, não pelo nome, claro. Não nos conhecíamos. Já o tinha visto alí várias vezes, embrulhado em seu cobertor. Olhando para dentro de uma sacola plástica de supermercado...lá guardaria certamente os seus pertences, suas lembranças, talvez dias felizes, porque todos já tivemos dias felizes, mas nunca sabemos ao certo quando esse momento acontece. Só quando eles passam e se tornam lembranças.  Aí sabemos que foram felizes.

O mendigo se comunicou comigo por um gesto, imagino que universal. Levou sua mão direita a frente de sua boca, ergueu apenas dois dedos, o indicador  e o do meio. Numa intenção clara de me pedir um cigarro. Aprendi com a boêmia que cigarro não se nega. Isso me foi dito certa vez em um balcão de bar. Nunca mais esqueci. Quando me pedem dinheiro na rua, dificilmente dou. Não me sensibilizo com as desculpas que encontram para justificar seus pedidos descabidos, mas cigarro, nunca neguei. A chuva havia dado uma pequena trégua, então atravessei e entreguei um cigarro ao velho que nem sequer me agradeceu. Voltei para o outro lado e acendi mais um cigarro.

A cada tragada no cigarro uma dúvida diferente me incomodava a respeito dos rumos que tomam nossas vidas. Atravessei novamente a rua, dessa vez fui até o posto comprar mais uma cerveja. Ainda estava com a mente incomodada com o contato que tive há pouco instante com o velho da sacola plástica.   Dirigi-me ao caixa e quando fui tirar o dinheiro da carteira fui surpreendido por uma voz familiar. “ ô....rapaz!! como vai??” Era o atendente. Um conhecido dos tempos de escola. O uniforme havia impedido que eu o reconhecesse antes. Uniformes anulam pessoas. É pra isso que eles servem. Anulam pessoas e sentimentos. Naquele instante vi apenas um atendente impedindo a minha saída do posto para que eu pudesse enfim tomar minha cerveja, fumar mais um cigarro e curtir meus pensamentos. Disse oi ao rapaz que me era familiar. Perguntei sobre o fato de trabalhar na véspera de ano novo. Se teria um horário especial a ser cumprido para que pudesse estar com os amigos ou com a família. Ele respondeu:  "nada...vou sair no horário de sempre...o que importa para o patrão é ganhar dinheiro." Os funcionários que se fodam.” Vi que demorava em me devolver o troco. Pensei. “Acho que esse cara tá querendo ficar com meu troco.” Lembrei-me de onde conhecia aquele rapaz. Havia estudado na mesma sala que eu e era um folgado. Achava-se o malandrão do colégio. Senti um pouco de raiva naquele instante.  “Meu troco, eu quero meu troco.” Calma, já vou te dar. Com um sorriso no rosto entregou-me somente as notas. “As  moedas rapaz, também quero as moedas.” Finalmente, já com o seu sorriso desfeito, o cretino me entregou as moedas. Desejei-lhe um feliz 2012 e sai. Atravessei de volta a rua e acendi outro cigarro. Que rapaz folgado aquele do posto. Ainda se me pedisse, mas não, já foi ficando com o troco. Lembrei-me da vez em que me roubaram o lanche na escola, nunca soube quem havia sido o autor que se aproveitou da confusão de alunos a frente da cantina e aproveitando-se de minha baixa estatura, alcançou o lanche antes de mim. Agora não tinhas dúvidas de que foi aquele cara que surrupiou o meu sanduiche.  Aquele mequetrefe...Maldito!!!!!

Chegou então um senhor e sentou-se ao meu lado. Um senhor de camisa azul. Esperava um taxi para a casa da irmã, mas estava na dúvida se seria bem recebido pelos familiares porque havia presenteado o sobrinho, que acabara de tirar sua habilitação de motorista,  com uma moto.  Perguntou-me. “você é militar?” Respondi que não. “ pois parece...tem pinta de militar.” "Não sou não." Respondi.  "Só estou com vontade de matar alguém por uma coisa que talvez nem se lembre que fez, mas sei que ele fez e quero matá-lo. Se eu fosse militar teria uma arma e faria isso com certeza no fim do expediente, quando ele saísse do posto.” O velho me disse que era aposentado da Policia Civil e que tinha uma pistola ponto 40 ali com ele caso eu precisasse. “Não tô mesmo a fim de ir à minha irmã, fico aqui com você e a gente pega esse vagabundo na calada da noite. Meu apartamento é logo alí. Lá tem bebida. A gente fica lá observando ele e quando sair a gente segue o desgraçado. Só que você que irá apertar o gatilho. Certo? Dei outra grande tragada em meu cigarro. Precisava daquele breve instante para pensar. Ah!!! Os rumos que a vida toma!!!! Uns tornam-se mendigos...Outros frentistas de um posto...e outros  policiais aposentados,  frustrados e alcoólatras e eu estava prestes a tornar-me um assassino de um praticante de bullying.

Nesse momento olho para meu lado direito e vejo um UNO. Identifico o motorista. Era o Alan, sua namorada e seu cunhado. Minha decisão estava tomada. Olhei mais uma vez o aposentado e lhe disse. “olha, chegou minha carona. Sugiro que você passe a virada de ano com a sua irmã. Feliz ano novo”.  


 João Francisco Aguiar é um dos editores do âncorazine e desse blog. É professor, conhecido por seus alunos e colegas de trabalho como jofra, baterista da banda Corvo de Vidro. Não acredita em processos de mudança, e sim na ruptura como mudança do real. Se não está satisfeito com o pano de fundo de sua vida, não mude a si mesmo, troque o pano, mude de amigos, de cidade e até de planeta se conseguir. Para ele a imaginação supera a razão.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011


Duas da madrugada de um Sábado gelado.

Lucas chegou em casa visivelmente perturbado. No estofado de seu Vectra, cápsulas e latas vazias denunciavam a noite que passara ao lado de boêmios e prostitutas. Mas isso  tinha pouco a ver com o seu estado. O desespero nos seus olhos era de quem finalmente acordara. “Mas para quê?” Se perguntava aflito. “Meus pais me dão grana sempre que eu peço. Foi a forma que eles encontraram para que eu perdoasse o fato de nunca estarem presentes. Hoje é meu aniversário e eu ganhei esse carro zero. E eu nem carta tenho”. Lucas descobria-se nessa madrugada um anjo imperfeito, de alma suja, um zumbi cujo desejo era apenas o consumo de drogas, sexo, prazeres artificiais numa busca sem fim por satisfação. Do lado de fora da casa podia ouvir a agitação de trabalhadores que já se dirigiam para os pontos de ônibus no intuito de pegar o primeiro circular para mais um dia de labuta. Ter um emprego era uma hipótese impensada na vida de Lucas. Ele jamais seria o mesmo depois dessa constatação. Tinha completado dezoito há algumas horas e o mundo sem prévio aviso explodia dentro de seu cérebro como uma bomba relógio, condenando-o a perecer como um fantasma e  continuar vivo seria levar para sempre a consciência da irreal condição humana de exploração e mentiras. “ Maldita Sara que me legou esse mal do qual não há cura senão o enfrentamento, mas não fui educado para isso. Meus pais me ensinaram a ser covarde e a respeitar as regras de convivência que me ditam uma moral que me beneficia, é claro. Beneficia minha vida vazia. Para a qual não poderei mais voltar. Maldita Sara!! Por que não guardou para você essa verdade?!”. De joelhos ao lado da cama, iluminado pela luz da televisão, sentia pela primeira vez a angústia de caminhar sem nunca chegar. Com as duas mãos em concha sobre suas pernas, contemplava o que lhe restara: a noção da mentira. A desilusão era o único sentido daquela madrugada. De resto tudo era absurdo.   

                  

João Francisco Aguiar é um dos editores do âncorazine e desse blog. É professor, conhecido por seus alunos e colegas de trabalho como jofra, baterista da banda Corvo de Vidro. Não acredita em processos de mudança, e sim na ruptura como mudança do real. Se não está satisfeito com o pano de fundo de sua vida, não mude a si mesmo troque o pano, mude de amigos, de cidade e até de planeta se conseguir. Para ele a imaginação supera a razão.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Dia do BASTA em Ribeirão Preto

Ontem, após voltar do trabalho em Jardinópolis, passei na Explanada do Teatro Pedro II em Ribeirão Preto para conferir o protesto contra a corrupção e a favor da educação. O dia do BASTA. Cheguei lá antes do horário previsto. Encontrei apenas o público do Teatro na fila aguardando para entrar. Ninguém ali que tivesse cara de manifestante. Resolvi esperar. Dar uma volta no quarteirão. Dar um tempo até que alguém chegasse. A chuva que caia durante todo o dia já estava dando sinais de trégua.
Eis que encontro um grupo de cinco ou seis pessoas. Cartazes, mão direita pintada de branco e nariz de palhaço. Estéticamente perfeitos. A Imprensa também estava lá. Mentindo a verdade pra variar. Mais pessoas chegaram e juntaram-se a nós. Mesmo assim não havia reunido mais do que 20 pessoas. Ah!! também pintei minha mão de branco. Pintar o rosto de verde e amarelo não fez muito meu estilo, afinal: Será que devo ter orgulho do meu país??? diz a canção.
 O grupo resolveu andar. Começar a passeata. Foi aí que percebi algumas coisas que me incomodaram. As pessoas presentes podiam estar alí com toda a boa vontade do mundo, mas não tinha base politica. Nem alguém que soubesse de fato  qual era o foco do protesto. Preferi me calar e gritar coisas que achei relevante como FORA CORRUPÇÃO!!!! MAIS EDUCAÇÃO!!!! Para alguns alí a passeata parecia uma grande brincadeira. Não senti seriedade nesse movimento. Conheci duas ou três pessoas com quem pude desenvolver um diálogo enquanto os demais preocupavam-se em tirar fotos. Algumas adolescentes seguravam os cartazes fazendo pose de modelo. A Manifestação foi muita rápida. Logo já tinha acabado. Não foi feito nada de relevante ontem. E quando quiseram fazer. como por exemplo levar aquela passeata por menor que ela fosse até a Prefeitura, a que me pareceu a lider, impediu com o argumento de que manifestação não era politica e sim da sociedade civil. Ficou a pergunta, mas o que não é POLÍTICA? Tudo gira em torno da política.
Por fim, ter vontade de se manifestar é o começo pra tudo, se você se sente indignado, proteste. Não perca tempo. Só que entenda que essa luta é política e se você não mexer no vespeiro a situção continuará sempre a mesma. Espero que ocorram outras manifestações e que a adesão aumente, mas que pessoas sérias passem a fazer parte disso. Faltou conteúdo ontem. Não façam protestos e manifestações tornarem-se piadas.




João Francisco Aguiar é um dos editores do âncorazine e desse blog. É professor, conhecido por seus alunos e colegas de trabalho como jofra, baterista da banda Corvo de Vidro. Não acredita em processos de mudança, e sim na ruptura como mudança do real. Se não está satisfeito com o pano de fundo de sua vida, não mude a si mesmo troque o pano, mude de amigos, de cidade e até de planeta se conseguir. Para ele a imaginação supera a razão.