Olá marujos!!!!! Este é o ÂNCORABLOG. Sejam todos bem vindos a bordo. O objetivo do blog é o mesmo do fanzine, que teve seu último número lançado em janeiro de 2007. Servir de âncora para toda e qualquer manifestação: literatura, música, política... O fanzine também voltará a ser feito e distribuído em eventos culturais aqui na região de Ribeirão Preto e quem sabe até mais longe. Naquele mesmo formato. Clássico dos fanzines.
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
domingo, 25 de agosto de 2013
Tristezas de uma manhã de domigo
Tinha uma longa caminhada até a rodoviária. Olhei para céu que àquela hora da madrugada era café com leite e acendi meu último cigarro. Decido passar na conveniência do posto no centro da cidade que certamente estará aberto e comprar cigarros. Comprei dois maços. Seria o suficiente e ainda sobraria um fechado para o dia seguinte. Minhas pernas doíam e resolvi parar e sentar para descansar um pouco no banco de uma praça dois quarteirões depois do posto.
Em um dos bancos próximos ao meu havia um casal que discutia. De repente ouço um barulho e quando me viro dou de cara com uma cena inusitada. Um rapaz no chão segurava o nariz que sangrava. Tinha tomado um puta soco da companheira que estava sentada a seu lado. Foi aí que percebi no decorrer da cena que o que pensei ser um casal formado por um homem e uma mulher que poderiam ser casados ou namorados era na verdade dois homens. Um travesti e seu cliente que não pagou o programa devidamente e que por isso era esbofeteado. O travesti ao bater gritava para que todos ouvissem. “Comeu e não quer pagar o combinado, cretino!!! FIHO DA PUTAAA...” Na hora cheguei a ter pena do pobre coitado, assisti a tudo sem mover um músculo. Quem passava pela praça também não se importou. Com certeza estavam acostumados com tais acontecimentos que talvez fossem comuns nas madrugadas de domingo. Alguns transeuntes sequer olhavam para os dois. Outros me cumprimentaram, fizeram comentários do tipo: o combinado saiu caro pra esse, não é mesmo amigo? Tinham também os que só me pediam um cigarro. Para os quais dizia, “toma dois aí, amigo. Tenho bastante aqui.”
Em meio a socos e pontapés, o pobre diabo conseguiu se levantar e fugir cambaleando, entre os poucos carros que passavam, para bem longe do travesti que estava muito enfurecido e continuava xingando. Abriu sua bolsa e tirou de dentro um cachimbo desses artesanais e, sem se importar com as senhoras que naquela hora saiam de suas casas para irem a padaria ou fazer uma caminhada, deu umas quatro ou cinco baforadas. Terminado o show pensei em ir embora, mas o travesti me interpelou dizendo: aí moço, me arruma um cigarro? Disse-me isso com voz feminina e serena. Nem parecia a mesma pessoa que há pouco vi chutar um homem no chão como se fosse um saco de batatas. Tirei dois cigarros e dei a ele. Acendeu um e guardou o outro. Se virou pra mim e começou sua história. “Me desculpa de ter fumado pedra perto de você, moço. Tinha parado, mas a noite de hoje foi zica pra caralho, sabe? Acredita que peguei meu homem na cama com outro traveco. Que raiva que deu. A gente sustenta o bofe. Compra droga pra ele usar. E o mínimo que a gente espera é um pau duro quando a gente precisa e um pouco de respeito. Na minha cama, moço? A cama que a gente dorme? Filho da puta!!! Maconheiro safado!!! Só que isso não vai ficar assim não, moço. Não vai.”
O que deveria ter feito após ouvir o desabafo era ter ido embora, mas não, dei corda para que ele continuasse. Perguntei se o namorado era o cara em que bateu há pouco. Sabia que não era, mas precisava saber mais daquela história, talvez fosse para amenizar o tédio. Peguei outro cigarro e acendi. O travesti tomou fôlego e continuou a contar. “O cara que você me viu batendo era um cliente que combinou um preço comigo e depois queria pagar outro. Um mentiroso. Depois que peguei meu homem com outra, fiquei fodida de raiva, mas não podia matar o desgraçado dentro da pensão onde moro. Quando comecei a morar nessa casa me comprometi com a dona que é muito boa pra mim a não fazer barraco lá dentro. Só olhei bem pra cara dos desgraçados e disse. Se vistam, filhos da puta e podem sumir daqui os dois porque vou atrás de vocês. Vou matar vocês dois. Então se vestiram aos tropeços e sumiram. Nem tentaram se explicar. Sei bem onde encontrar os dois e vou mesmo matar um por um.” Mais uma vez tive a chance de ir embora, mas olhei paro o relógio e tinha perdido o primeiro ônibus para minha cidade. Acendi dois cigarros de uma vez e ofereci um ao traveco que continuou seu relato. "Procurei meu revólver, mas o desgraçado tinha achado minha arma e tenho certeza que o viciado a trocou na boca por farinha. Foi aí que sai pra fazer um programa e arrumar uma grana pra pegar uma arma na bocada e encher o cu desses dois de chumbo. Encontrei esse playboy que me viu surrando aqui na praça. Queria fazer um programa e me prometeu duzentão. Fomos em um dos moteizinhos da baixada e na hora de pagar o cretino fez um puta teatro e disse que sua carteira tinha sumido e que tinha caído no chão da praça onde me encontrou. Vim pra cá com ele para procurar. Aí começou com um papo de que ia passar no banco 24 horas e que se eu quisesse podia esperar sentado no banco da praça mesmo que ia rapidinho tirar o dinheiro e voltar pra me pagar. Foi aí que ganhei o golpe do malandro. Ah...moço!!! Sou muito boazinha, mas não me faz de boba, não. Bati mesmo, juntou a raiva da colega que me chifrou com o meu bofe mais a que ele me fez passar e descontei tudo em cima do safado. Agora tô aqui, sem dinheiro pra arrumar o cano pra matar os desgraçados que me traíram.” Nisso passam dois caras de moto que mexem com o traveco. O travesti sinaliza com a mão e os dois param. “Ó moço, preciso arrumar essa grana com esses dois aí. Um aí é cliente antigo e não vai me zuar. Vou ver até se depois do programa me deixa na bocada e me ajuda no serviço. Meu nome é Zoraide, viu? Você foi muito educado em me ouvir. Outro em seu lugar ia era me xingar e não me daria a mínima atenção.” Mais uma vez perdi a chance de ficar quieto e disse que depois de ver o que fez ao carinha não seria nem louco de xingar. Zoraide me olhou com uma cara de quem não gostou da piada, mas tinha mais o que fazer na vida. Afastou-se de mim e seguiu com um rebolado frenético até os rapazes e sentou na garupa de uma das motos que saiu em velocidade.
Continuei meu caminho até a rodoviária. Eram mais de 08h00. Quando cheguei o ônibus estava deixando a plataforma. Fiz sinal para o motorista e corri. O motorista que me conhecia, aguardou que eu chegasse e só depois acelerou. No trajeto para casa fiquei pensando em como seria o desfecho da história que ouvi. Será que Zoraide ia mesmo matar a colega travesti e o namorado? A vida durante a noite é bem diferente da vida durante o dia. Os códigos de conduta são outros. A impressão que me dá às vezes é que tudo é permitido. Que para os viajantes da noite é proibido proibir. E para essas criaturas a tristeza chega sempre acompanhada de um novo dia.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Nietzsche, a Selvagenzinha e a Alguém
Tinha 7 anos de idade quando ouviu, pela primeira vez, a
sentença da tia: "ela é uma selvagenzinha". O motivo? Não conseguia
se comportar como as primas, como princesinhas. E tudo era sempre motivo de
comparações! - elas, as meninas comportadas, sempre com laçarotes na cabeça e
vestidinhos lindos; ela, a selvagenzinha, sempre de shorts, detestava bonecas,
gostava de rolar na grama, mexer na terra, transformar em lobos os vira-latas
da casa e apostar corrida de bicicleta com os amigos. De fato, merecia o
título. Não só merecia, como fez juz a ele. E as primas, as de laçarotes na
cabeça, toda vez que vinham visitá-la, eram "desvirtuadas" pela
selvagenzinha. Porém, jamais sofrera repreensão dos pais por comportar-se dessa
forma; deixaram-na crescer livre.
Achando extremamente tedioso "brincar de casinha",
a selvagenzinha fazia as primas correrem com lobos vira-latas, a confundirem-se
com eles, a andarem descalças, se sujar, brincar de pega-pega,
esconde-esconde... Uma lástima! E princesas? Adoravam os momentos em que podiam
se libertar dos laçarotes, dos vestidinhos bonitinhos, das sufocantes ataduras,
das correntes que as mantinham imóveis; estavam sempre contando os dias para se
verem - as princesas e a selvagenzinha.
O tempo passou. A selvagenzinha cresceu e, logo percebeu,
teria de se adequar as normas que a sociedade impunha, como condição sine qua
non para a boa convivência com os outros. Passou, então, a fingir ser uma
pessoa "normal", uma "alguém", a seguir protocolos, a ter
modos e graça, a comportar-se de maneira a ser levada a sério. Adequou-se à
sociedade; comprimiu-se na máquina; virou um "alguém" que se via na
obrigação de rejeitar a selvagenzinha e tinha de calar sua voz a qualquer
custo.
Só que a selvagenzinha insistia em viver, falar e resmungar.
Travou-se, então, um combate feroz entre a "alguém" e a
selvagenzinha. Digladiavam-se noite e dia. É que a selvagenzinha tinha um
defeito - sempre adorou ler livros e os lia desde os 5 anos. E foi com eles que
aprendeu sobre as diferenças, a intolerância, o que era considerado
"certo" e "errado" mas, sobretudo, aprendeu que existem
vários, diversos, milhares de pontos de vista diferentes dos dela. E que nem
sempre, aqueles que dizem querer o bem de "alguém", realmente o
desejam. Essas constatações a chocaram em um primeiro momento - percebeu como
era estranho, complexo o mundo em que vivia.
A sociedade, com todas as suas regras e normas de conduta,
por exemplo, visa o "bem-comum". E em nome dele [do tal bem-comum], o
bem-individual teria de ser sacrificado. Com grande apreensão, também deu-se
conta de que nem tudo que seria bom para todos, seria bom para ela. Como
resolver isso? Como conseguir enxergar os rostos que se escondiam atrás de
máscaras e representações? Ela ainda não sabia. Por pressão, porém, viu-se
obrigada a assinar o contrato. E foi neste mesmo dia que a "alguém"
saiu-se vitoriosa. Finalmente, conseguira enjaular a selvagenzinha... ou, pelo
menos, achara que sim.
Mais crescida, já cursando História na faculdade, a
"alguém" deparou-se com um grande pensador, chamado Nietzsche. E
neste dia, que foi um dos mais felizes de sua vida, ela deu-se conta de que,
finalmente, havia encontrado alguém que pensava parecido com ela [ou teria sido
com aquela perigosa selvagenzinha?]. Foi amor a primeira vista. Ela queria
tê-lo pedido em casamento. Porém, sabia da impossibilidade, devido ao seu
falecimento, muitos anos antes do nascimento dela própria. Então, a "alguém"
chorou. Chorou muito. Nunca, ninguém, jamais teria a chance de compreendê-la
tão bem quanto ele. E ela sentiu-se só. Muito só.
Outros tantos anos se passaram. Durante este tempo, ela
deixara o "amor de sua vida" meio de lado, de castigo, que era pra
não ficar sofrendo as dores de uma paixão impossível, irrealizável. Na verdade,
fez ainda pior - ela o renegou, desdenhou e passou a afrontá-lo com deuses e
demônios das mais diversas espécies, cores, tonalidades e origens. É que ela tinha consciência de que
se o "ex-amigo" a pudesse ver, sentiria-se magoado, afrontado.
"Ora! Não fora ele um dia a me magoar e me afrontar por estar morto?"
- a "alguém" repetia para si, na tentativa de justificar o
injustificável. A estas alturas, já nem sabia porque se apaixonara por ele -
"aquele alemão tonto e ruim das ideias!". Mas o tempo -ah! o tempo -
e todas as situações pelas quais teria de passar sozinha, em silêncio, um dia,
a faria se reaproximar do renegado, do bigodudo, do alemão tonto e ruim das
ideias.
Batalhas e mais batalhas inglórias depois, finalmente
entendeu o que a levara a ele e o que não compreendera naquele precoce contato.
Acima de tudo, deu-se conta de que muito do que vivera, até aquele exato
momento, não passara de uma [perigosa] farsa. Teve de admitir que a verdadeira
responsável, aquela que facilitara o encontro "gêmeo", havia sido a
selvagenzinha - aquela que rolava na grama, que desvirtuava meninas com
laçarotes na cabeça, que corria com lobos vira-latas, que não aceitava ser
domada, dirigida ou liderada - e, injustamente, fora encarcerada nas masmorras,
de um inconsciente caoticamente organizado, sem ter tido, ao menos, chance de
defesa; deu-se conta de ter sido ela [a selvagenzinha] a dar as mãos ao
bigodudo e a dizer, numa voz infantil - "ensina-me a aprender....".
A "alguém", então, entendeu que poderia tê-lo
sempre junto a ela. O seu amor, recém-(re)descoberto pelo "amigo",
fê-la, sobretudo, entender que não precisava livrar-se daquela insolente
selvagenzinha que, do porão a que fora relegada, clamava por atenção; percebeu
que poderia sublimá-la, (re)direcioná-la, torná-la uma artista que se
expressaria através das letras. E a selvagenzinha sorriu, sorriu feliz, diante
da oportunidade concedida de (res)surgir das cinzas, a que "alguém" a
havia reduzido, e a voltar a correr com lobos.
Miriam Waltrick é formada em História pela UFSC e um curso superior incompleto
em Ciências Econômicas, é jornalista por profissão, escritora por opção e
blogueira nas horas vagas. No final das contas, descobriu que o que deveria ter
feito mesmo era Letras Português (esquizofrenia pouca é bobagem). Jornalista
sem canudo, foi em Londres, onde morou por 4 anos, que surge a oportunidade de
atuar nesta profissão. Passa, então, a escrever para duas revistas - a Real
Magazine e a Brasil Etc.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Dama da madrugada
Porta trancada, janela com uma fresta aberta e a imprestável
programação da TV como trilha sonora de um cenário caótico e perverso. O quarto
de paredes brancas mofadas era o mocó daquele jovem, que sem forças de reação,
afundava o nariz onde não era chamado.
Todo sábado era assim. Trabalhava até às 22 horas e ficava
até uma da manhã vagando pelas ruas sujas daquela cidadezinha. Em seguida,
passava na biqueira, comprava pó e caminhava ligeiro para o aconchego do seu
lar. A madrugada era uma noiva do mal, que o tirava para dançar os esplêndidos
passos vazios da desesperança.
A estante era uma grande amiga. Além de suportar as vozes
que saíam da telinha da mentira, também era a mão que estendia a química da
escuridão. Entre um tiro e outro, olhos atentos para ver se alguém aparecia.
Com medo, não queria ser surpreendido por ninguém, muito menos por seus pais,
que dormiam no quarto ao lado.
Pensamentos surgiam e o atormentavam: “Que barulho foi esse?
Preciso trabalhar daqui a pouco! Porque estou fazendo isso? Alguém me ajuda!” –
triste começo de juventude para um menino que mergulhou na fossa, como um
nadador mergulha na grande piscina em busca da medalha de ouro.
O sono desaparecia e só restava a neurose. A vontade de
dormir era imensa, porém o efeito não passava. Até o horário de sair para o
trabalho, havia tempo suficiente para uma boa reflexão. Aquilo tudo era uma
decepção para seus pais, que o criaram de uma forma decente. Também era injusto
consigo mesmo, pois trabalhava o mês inteiro e deixava seu salário escorrer
pelo ralo.
A depressão o consumia e o sono chegava junto com nascer do
sol. Já era hora de trabalhar. Seu cérebro não havia descansado e sua cabeça
doía. “Porque estou fazendo isso?”, perguntava a si mesmo. Tomava um rápido
banho e enquanto vestia o uniforme da empresa, assistia a missa que passava na
tela. As palavras que entravam por seus ouvidos traziam uma mescla de esperança
e desilusão.
Sem tomar café da manhã, desligava o aparelho, saia para a
rua e caminhava rumo à labuta em pleno domingo. O ambiente deserto não escondia
nenhum oásis para seu coração deprimido.
“Tenho que parar com essa porra...” – sua alma gritava.
Autor: Marcus Vinicius Machado, latino-americano criado em
Santa Isabel – SP. Um dia resolvi sair por aí e descobri que em cada esquina
existem várias poesias e contos. Também sou estudante de Jornalismo e criador
do blog Sem Sobrenome (100sobrenome.blogspot.com.br).
domingo, 26 de maio de 2013
Impressões sobre a primeira noite de Se Vira Ribeirão
Vou escrever agora esse texto, é tarde de domingo, antes que as impressões da noite de ontem, madrugada e manhã de hoje se percam.
Cheguei a Ribeirão Preto após as 15h00, fui até a UGT me informar sobre o
início da roda de conversas infinitas sobre o ensino público. Ainda estavam
montando o espaço, aproveitei para dar uma mão. Feito o trampo, iniciou-se a
conversa. Professores com os mais diversos pontos de vista falaram suas impressões
a cerca da educação em São Paulo. Concordei com o ponto de vista de uns e de
outros nem tanto, mas é assim que funciona a democracia. Encaminhamentos foram feitos e em breve novidades virão nas redes sociais sobre o tema educação em
Ribeirão Preto e Região. Aguardem!!!
Encerrado o bate-papo sobre a Escolas Públicas, fui dar uma
mão para a equipe de som no palco. Para quem está lendo e não sabe ainda, o Se Vira Ribeirão não é um simples evento.
Trata-se de um movimento que reúne artistas e a sociedade civil em um processo 100% colaborativo que existe desde o ano passado e vocês
ainda ouvirão falar muito dele. Quando cheguei o palco estava sendo preparado
para a banda “Sinhô Adonai & Reggae do Gueto. “Bom demais. O clima reggae
tomou conta da baixada nesses 40 minutos. Na sequência a “Gran Modern Glasses”
fritou os tímpanos de quem estava presente no palco em frente a UGT. O som não parava na baixada. Sem perder tempo
a “Blue Sunset” mandou ver na outra ponta da Bonifácio. Um som tranquilo se
comparado às pedradas sonoras da banda anterior.
Acendo um cigarro e caminho até
próximo a UGT. No palco estão os caras da
banda “Chic Hernandez” que une os ritmos das Américas e África e cria uma
sonoridade particular a partir dessa mistura. Gostei do som. Trilha sonora
perfeita para fumar um cigarro e tomar uma ceva.
Quando voltei para o extremo
oposto da Bonifácio. Surgiam os primeiros acordes de” Vinil Verde” uma banda influenciada
por Los Hermanos, mas que aos poucos dá
cara aos próprios sons. Ótima apresentação.
Quase 23h00. Chegou a hora de
curtir um Blues. Nada mais indicado que o “Blues Insonia”. Se alguém estava
cansado, certamente renovou todas as suas energias nesses 40 minutos de
apresentação. Bom demais e está a cada ano melhor e é assim que deve ser. Perdi a banda que tocou após o Blues Insônia e
quando regressei a baixada o Go Out estava a postos e mandaram benzaço mais uma vez. Todos curtiram e
pudemos enfim ver uma roda de pogo se abrir na Bonifácio. “A partir daí a coisa só iria
esquentar cada vez mais.” Mano Pinga e seus Comparsas” arrebentaram na sequência
e quem estava assistindo foi à loucura. 2h00
passadas e foi a vez do instrumental
lisérgico com voz da banda “Miss Lane”. Para dar mais embalo a madrugada do domingo que se iniciava, Leser e sua banda compareceram cheios de ideias e
rimas. Não conhecia a banda Le Biggust que entrou na sequência, mas curti muito
a energia do power trio.
Por fim restavam as rodas de samba
e começar devagarinho a guardar as coisas. Aos poucos a baixada se esvaziava e o barulho
das guitarras dava espaço ao ronco dos carros que começavam a se agitar na
avenida.
Acompanhe as informações e fotos do que aconteceu e do que ainda vai acontecer no Se Vira Ribeirão neste endereço https://www.facebook.com/seviraribeirao?ref=stream&hc_location=timeline
João Francisco Aguiar é um dos editores do âncora zine e desse blog. É professor, conhecido por seus alunos e colegas de trabalho como jofra, baterista da banda Corvo de Vidro. Não acredita em processos de mudança, e sim na ruptura como mudança do real. Se não está satisfeito com o pano de fundo de sua vida, não mude a si mesmo troque o pano, mude de amigos, de cidade e até de planeta se conseguir. Para ele a imaginação supera a razão.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
É apenas Rock
O que me motivou a escrever esse texto foi a história contada por um amigo que num domingo de manhã
( bandas de rock não deveriam ensaiar num domingo de manhã ) foi ensaiar com sua banda na companhia de três latas de cerveja. Um dos integrantes da banda o repreendeu e disse: “ cara, isso aqui é sério!!!” Se estivesse no lugar desse amigo responderia: “ desculpe, mas pensei que isso fosse apenas rock...”
( bandas de rock não deveriam ensaiar num domingo de manhã ) foi ensaiar com sua banda na companhia de três latas de cerveja. Um dos integrantes da banda o repreendeu e disse: “ cara, isso aqui é sério!!!” Se estivesse no lugar desse amigo responderia: “ desculpe, mas pensei que isso fosse apenas rock...”
Rock não e coisa séria, nunca foi. Pense nas maiores bandas de rock que já existiram. Quem ali era sério? Eram sim descontentes. Não queriam passar suas vidas trancados dentro de normas e padrões. Muitas bandas acabaram justamente quando um dos integrantes, deslumbrado pela fama, resolve burocratizar a relação de amizade e companheirismo e passa a cobrar dos demais regras comuns a uma empresa. Algumas dessas grandes bandas podem ainda existir, mas não são nem de longe o que eram quando simplesmente tocavam suas músicas sem se preocupar com os julgamento e interesse de possíveis empresários. O público que curte rock, sabe reconhecer quando uma banda é honesta. E é para o público que se toca.
Quando toco minha bateria não penso em nada. Eu sou a música que toco naquele momento. As baquetas são uma extensão de meus braços. Faço isso porque gosto. Fiquei dois anos sem tocar por desgosto. Porque as bandas em que tocava antes se burocratizaram e tornaram-se cínicas e perversas. Espero que isso não aconteça de novo.
Cumpro normas e padrões de segunda à sexta-feira. Por mais que eu ame minha profissão, sei de minhas responsabilidades. Não falo e nem faço tudo o que penso nesses dias. O trabalho exige uma postura que se aprende a duras penas. Não quero reproduzir isso nos meus finais de semana. Quero ser eu mesmo. Quero tentar ser feliz. O rock é pra isso. Significa isso.
Abaixo está uma foto que ilustra muito bem as mensagens do texto que escrevi, tirada no dia 26/06/2012. Uma foto que simboliza esse espírito que só existe em bandas que ainda gostam de fazer apenas rock.
João Francisco Aguiar é um dos editores do âncora zine e desse blog. É professor, conhecido por seus alunos e colegas de trabalho como jofra, baterista da banda Corvo de Vidro. Não acredita em processos de mudança, e sim na ruptura como mudança do real. Se não está satisfeito com o pano de fundo de sua vida, não mude a si mesmo troque o pano, mude de amigos, de cidade e até de planeta se conseguir. Para ele a imaginação supera a razão.
Abaixo está uma foto que ilustra muito bem as mensagens do texto que escrevi, tirada no dia 26/06/2012. Uma foto que simboliza esse espírito que só existe em bandas que ainda gostam de fazer apenas rock.
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| foto tirada por Stella Cadurim Lopes. no baixo está ratão |
segunda-feira, 20 de maio de 2013
poema para três girassóis
ganhei girassóis
girassóis de verdade
não sairam do poema
de ginsberg
e nem do quadro que
tenho em meu quarto
trata-se de um presente
é assim que chegam até mim
como oferendas
sempre no momento em
que mais preciso
meu primeiro girassol
chegou em forma de
poesia
em um uivo louco
em uma noite triste
e eu o devorei
palavra por palavra
saboreei cada verso
e só parava de
mastigar nas vírgulas
para relembrar o
sabor dos verbos passados
meu outro girassol
brotou de mãos
aprisionadas
da solidão da cela
para a da minha casa
vive preso em uma
parede
a velar o meu sono
os girassóis de agora
não foram pintados
e nem imaginados em
metáforas
esses de agora têm
perfume
precisam de cuidados
há muita vida em meus
três girassóis
esses agora estão em
um vaso
um mais alegre
o outro mais sensato
e o mais velho triste
sou muito amigo do
mais velho
gosto da mistura da essência
que os três exalam
um não poderia viver sem o outro
há vida e morte em
sua pétalas
assim como em minhas
lágrimas.
João Francisco Aguiar é um dos editores do âncora zine e desse blog. É professor, conhecido por seus alunos e colegas de trabalho como jofra, baterista da banda Corvo de Vidro. Não acredita em processos de mudança, e sim na ruptura como mudança do real. Se não está satisfeito com o pano de fundo de sua vida, não mude a si mesmo troque o pano, mude de amigos, de cidade e até de planeta se conseguir. Para ele a imaginação supera a razão.
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